domingo, fevereiro 26, 2006

Uma pancada nos dedos mais pequeninos do pé inspira qualquer um...

Sexta à noite:

Coitada, a Lucy morreu... Aquela doutora toda gira do ER Serviço de Urgência bateu a bota...
Ela bateu a bota, devido a isso à estupefacção com que eu olhava para o ecran da TV, também "bati a bota" com força no pé da cama...e o pior é que tava "sem a bota"...
Ai Jasus, momentos horrendos que passei...dores agudas...
Como tal fiz a letra da praxe:

Bati c'o pé (Casa da Mariquinhas - Amália Rodrigues)


Foi numa noite passada que bati
C’os dedos no pé da cama ai coitadinhos
Quem pensa até se ri, o som de dor que expeli
Quase acordava todos os meus vizinhos
Saltitei até passar, deu-me vontade de berrar
Até o cão saiu da sua casotinha
Até chegou a gracejar
Com a situação mesquinha


E é assim, com este momento poético que celo mais um post.

Cumprimentos.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Opas e Combustveis

Opas e Combustíveis

Toda a gente sabe que a carne humana é inflamável, e arde com relativa facilidade.
Ontem fui um testemunho vivo disso…Estava no meu quarto, quando o meu pai me chamou e perguntou:
- “Oh Mário, não tens por aí uma folha de papel e um isqueiro para eu “dar calor” ali num tubo?”
Pergunta à qual eu respondo:
- “Não pai, mas na casa de banho tens lá revistas velhas, pegas numa e queimas. Isqueiro não há mas tens fósforos aí na gaveta.”
E ele tudo bem.
Passados alguns segundos, ele diz-me:
-“Oh Mário, anda-me aqui segurar na folha para eu dar calor no cano mais facilmente.”
E eu tudo bem.
MAS, reparei que a folha era a capa da conhecida revista “A Gente”.
Então cheguei à conclusão.
A Gente arde! E pronto vi e cri, A Gente é inflamável!

Quanto às Opas, tenho de falar no “Inginheiro” patrono da Sonae, o Sr. Belmiro de Azevedo, que recentemente lançou uma Opa…Coitado, de tão pobre que ele está, teve de vender a sua própria Opa para sobreviver…Opa, isso não se faz!
Devido a esse mesmo facto, a pobreza do Engenheiro, e à moda dos portugueses escreverem músicas acerca das suas casas, tenho duas versões de duas conhecidas musicas Portuguesas relacionadas com “Casinhas”. Uma delas é dos Xutos e Pontapés, que se intitula “Casinha”, e outra é um fado muito cantado pelo Carlos Oliveira (para o pessoal que o conhece…) que se intitula “A minha casinha”.

Ora aqui vai:


Casarona (Casinha – Xutos e Pontapés) - Cifrada

-----------D----------------- A/C#
Ai que linda e em boa zona
----------C-------------- B7
Está a minha casarona
B7/A B/G B7/F# --------------Em
Melhor que um bom Palácio
Em---------------------- A7
Como é bom lá Morar
---------------------------G/A
E em vez de um andar
--------A7/13 -- A7 ---D
Ter o inteiro Edifácio!



Seguidamente o fadinho


Vinte e Seis Assoalhadas (A Minha Casinha – Fado Tradicional Português)
Refrão:
Vinte e seis assoalhadas
E umas cem empregadas
E até acho estranho
Só vinte Casas de Banho

Verso
Vivia num apartamento
E só comia macarrones
Lembrei-me do investimento
Na empresa dos telefones

Já tinha uns bons milhões
Mas não é suficiente
Um homem com 3 testículos
Tem de pensar sempr’á frente

Refrão

Verso:
Estamos todos sem dinheiro
E a nação está marreca
Não tem graça por inteiro?
O que mais tem é careca…

Mas voltando ao chalé
Só tem noção quem o vê
Cabe um avião em pé
E a administração da PT

Refrão

Verso:
As portas são das maiores
Todas banhadas a ouro
Não chegou para os puxadores
Nem para o mijadouro

O BES e o seu desembolso
Nesta época de Entrudo
Com ele a entrar no meu bolso
Já vai chegar bem para tudo

Refrão

Fim


Viva o Nosso Portugalinho
Ora porra!

domingo, fevereiro 05, 2006

Construção...Deus lhe Pague...

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo por tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou para descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
E agonizou no meio do passeio público
Morreu na contra mão atrapalhando o tráfego


Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo por tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou para descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
E agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contra mão atrapalhando o público


Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou para descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra mão atrapalhando o sábado

Por esse pão para comer, por esse chão para dormir
A certidão para nascer e a concessão para sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir, Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair, Deus lhe pague

Pela mulher carpideira para nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir, Deus lhe pague


Chico Buarque